quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Canibalismo em Segundo Grau

Eu li a vida que te prende
Um enredo, bem cedo
Como aquele que não aprende
Em segredo, com medo

E sei de cor o teu lamento
Eu comento, eu comento
Que não há nada em ti por dentro
És puro acobardamento

Sedento de sangue e de veias entupidas
Arrancas a carne com dentadas caninas,
espingardas vazias

Ah! Canibalismo em segundo grau
Minimalismo desparental
D’um mentalismo de cárie mental
Abstraccionismo da gula capital        

Mastigas mentira como se verdade
Por vontade ou vaidade
E perguntas ao padre se é pecado
“(Não!) Nessa idade é sagrado!”


Continuas a trincar a dor por comodidade
À espera da idade que te traga voz grave,
nesta sociedade, de anti-liberdade

Ah! Canibalismo em segundo grau
Minimalismo desparental
D’um mentalismo de cárie mental
Abstraccionismo da gula capital       

Segue os outros, segue os outros
Nessa fé desenfreada
Come os outros, come os outros
P’la cegueira esfomeada

E vens, de tripas na boca,
Dizer-me que sou louca
Que a diferença nada muda
E que a minha voz é nula. Ah!

Não! Não! Não! Não! Não


Ah! Canibalismo em segundo grau
Minimalismo desparental
D’um mentalismo de cárie mental
Abstraccionismo da gula capital 




Escrito e Publicado por Boneca de Trapos

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